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Como anotar as crises do seu filho

Depois de uma crise, a última coisa que dá vontade de fazer é escrever. Mas duas ou três linhas, anotadas no mesmo dia, valem mais do que a melhor memória daqui a três meses. Aqui vai um jeito simples de fazer isso, e um modelo pronto para copiar ou imprimir.

Por que anotar

Uma crise sozinha não conta muita coisa. Várias, anotadas do mesmo jeito, começam a mostrar um desenho: acontecem mais em certos horários, em certos lugares, ou depois de alguma coisa específica. A National Autistic Society, do Reino Unido, sugere justamente isso: manter um diário com o que aconteceu antes, durante e depois de cada crise, para que os padrões apareçam.

E tem outro motivo, bem prático: na consulta, ninguém lembra direito. Com as anotações na mão, você conta o que viu, e não o que sobrou na memória.

Antes, durante e depois

Profissionais chamam isso de modelo ABC (antecedente, comportamento, consequência). Em linguagem de casa, são três perguntas:

Uma dica que faz diferença: escreva o que você viu, sem julgar e sem interpretar. “Jogou o prato no chão quando tirei o tablet” diz mais do que “ficou impossível”.

O que mais vale anotar

Além das três perguntas, alguns detalhes ajudam a enxergar o que se repete. Não precisa ter todos. Anote o que souber:

Mudança de rotina, fome, cansaço e dificuldade de se comunicar aparecem com frequência entre os possíveis gatilhos, e é por isso que eles entram na lista. Mas quem vai dizer o que pesa no caso do seu filho é o acompanhamento, não a lista.

“Não sei” também é resposta

Muitas vezes você não viu o começo. A crise veio da escola, ou você estava no banho, ou simplesmente não dá para saber o que disparou. Tudo bem. Escreva “não sei”. Um campo em branco não diz se você esqueceu ou se não sabia; um “não sei” diz. E uma anotação incompleta ainda vale muito mais do que nenhuma.

O mesmo vale para a pergunta que costuma vir junto: foi birra ou foi crise? Você não precisa decidir isso para anotar. Descreva o que aconteceu e deixe a leitura para depois, com calma e com quem acompanha a criança. Se quiser entender a diferença, temos um texto sobre birra e crise.

Um modelo para copiar ou imprimir

Uma linha por crise. Imprima algumas folhas, deixe na geladeira ou na bolsa, ou copie para o bloco de notas do celular.

Registro de crises
Dia e horaO que aconteceu antesO que a criança fez (e por quanto tempo)O que aconteceu depois / o que ajudouSono, comida, remédio, ambiente
Ex.: ter, 18hDesligamos a TV para o banho. Dia de escola cheio.Chorou e se jogou no chão. Uns 15 minutos.Apaguei a luz da sala e fiquei perto, sem falar. Passou.Dormiu tarde ontem. Não lanchou. Remédio tomado.
     
     
     

A linha de exemplo é só um exemplo. Não é uma orientação do que fazer numa crise: o que ajuda cada criança é diferente.

Como a anotação ajuda quem acompanha a criança

Anotar não serve para você chegar a um diagnóstico, nem para decidir sozinho o que está acontecendo. Serve para dar a quem acompanha a criança (o médico, a terapeuta, a escola) um retrato mais fiel do dia a dia do que a memória consegue dar. Com algumas semanas de anotações, fica mais fácil conversar sobre o que se repete, o que mudou e o que tem ajudado.

Para levar essas anotações à consulta sem esquecer nada, veja o nosso checklist do que levar na consulta.

No Ponte, esse modelo já vem pronto

No diário do Ponte, a crise tem o seu lugar: o que veio antes, o que ajudou, sono, alimentação e remédio. Você registra por escrito ou falando, e na hora da consulta os registros viram uma página só.

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Este texto é informativo e não substitui a orientação de um profissional. Se as crises são frequentes, intensas ou colocam alguém em risco, procure quem acompanha a criança.

Fontes

Perguntas frequentes

Preciso anotar todas as crises?

Não precisa ser perfeito. Anotar a maioria, do mesmo jeito, já ajuda a enxergar o que se repete. Se passou um dia sem anotar, siga do dia seguinte.

Por quanto tempo devo anotar?

Não existe um prazo único. Algumas orientações falam em uma ou duas semanas para começar a ver padrões. Se quem acompanha a criança pedir um período diferente, siga o que foi combinado.

A anotação diz se é autismo, TDAH ou birra?

Não. Ela não faz diagnóstico e não decide se foi birra ou crise. Ela organiza o que você viu para que o profissional que acompanha a criança tenha mais informação na conversa.

Conheça o Ponte

O app que organiza o dia a dia de crianças com autismo e TDAH — e transforma o registro numa página pronta para a consulta.