Diário TEA: como fazer o diário da criança
Um diário TEA (também chamado de diário de bordo) é um caderno, uma planilha ou um app onde a família anota o dia a dia da criança com autismo. Não precisa ser bonito nem completo. Precisa existir, e ser do mesmo jeito todo dia.
Para que serve o diário
A memória do dia a dia não aguenta três meses entre uma consulta e outra. O diário guarda o que aconteceu enquanto ainda está fresco, e com algumas semanas de anotações começa a aparecer o que se repete: a noite mal dormida antes do dia difícil, a crise que sempre vem na troca de atividade, a conquista que ninguém percebeu porque veio aos pouquinhos.
É também o que a gente leva para a consulta. Quem acompanha a criança costuma perguntar com que frequência, desde quando e em que situação. Com o diário na mão, você responde com o que anotou, e não com o que sobrou na lembrança.
O que anotar todo dia
Poucas linhas bastam. O segredo é anotar as mesmas coisas, para dar para comparar um dia com o outro:
- Sono: a que horas dormiu e acordou, se acordou de madrugada.
- Humor e energia: um dia calmo, agitado, choroso, cansado.
- Alimentação: se comeu bem, se recusou algo, se teve alguma novidade.
- Escola ou terapia: o que chegou de recado, como foi a sessão.
- Uma conquista, mesmo pequena: falou uma palavra nova, aceitou um alimento, esperou a vez.
O que anotar quando acontece
- Crises: o que veio antes, o que a criança fez, quanto tempo durou e o que ajudou. Temos um guia só sobre como anotar as crises.
- Mudanças: remédio novo ou suspenso, troca de escola ou de terapeuta, viagem, uma visita, um irmão que nasceu.
- Sinais físicos: se parecia doente, com dor ou com o intestino diferente.
- O que você quer perguntar na próxima consulta, no dia em que a dúvida aparece.
Um modelo de diário para imprimir
Uma linha por dia. Imprima uma folha por semana e deixe num lugar fácil, como a porta da geladeira ou a bolsa.
| Dia | Sono | Humor e energia | Alimentação | O que aconteceu de diferente | Conquista do dia |
|---|---|---|---|---|---|
| Ex.: seg | Dormiu 22h, acordou 3h e voltou. | Irritado de manhã, calmo à tarde. | Recusou o almoço da escola. | Troca de professora. Crise curta na saída. | Pediu água com uma palavra. |
A linha de exemplo é só um exemplo. Cada família vai descobrir o que vale a pena anotar para a sua criança.
Como não desistir na segunda semana
- Escolha um horário: depois que a criança dorme costuma funcionar.
- Duas linhas valem mais que nenhuma. Se o dia foi pesado, escreva só o essencial.
- “Não sei” também é resposta. Se você não viu, anote que não viu.
- Divida a tarefa: quem buscou na escola anota a tarde, quem colocou para dormir anota a noite.
Do diário para a consulta
Antes da consulta, releia as últimas semanas e marque o que se repetiu, o que mudou e o que ajudou. Leve junto as dúvidas que você anotou. Se precisar entregar um texto organizado, veja o nosso modelo de relatório para o neuropediatra e o guia de como preparar a consulta.
No Ponte, o diário cabe numa fala
No diário do Ponte, você registra o dia escrevendo ou falando, em menos de um minuto, e escolhe quem mais da família pode anotar. Na hora da consulta, os registros do período viram uma página só.
Este texto é informativo e não substitui a orientação de um profissional. As anotações ajudam a conversa com quem acompanha a criança; elas não fazem diagnóstico.
Fontes
- Distressed behaviour: a guide for all audiences — National Autistic Society (Reino Unido). Manter um diário do que acontece antes, durante e depois, de quem estava lá e de como a pessoa estava, para que os padrões apareçam.
- O que fazer na primeira consulta com o neuropediatra? — Autismo e Realidade. Listar os comportamentos com frequência e duração, levar relatórios e observações da escola, anotar as dúvidas e manter um diário.
- Manual de Orientação: Transtorno do Espectro do Autismo (nº 5, 2019) — Sociedade Brasileira de Pediatria. Referência geral sobre o TEA, do diagnóstico à intervenção.
Perguntas frequentes
O diário TEA serve para criança com TDAH também?
Serve. O jeito de anotar é o mesmo: sono, humor, alimentação, o que aconteceu de diferente e as conquistas. O que muda é o que cada família e cada profissional acham mais importante acompanhar.
Quanto tempo por dia leva?
Dois ou três minutos, se você anotar as mesmas coisas todo dia. Crises e mudanças levam um pouco mais, mas só nos dias em que acontecem.
É melhor no papel ou no celular?
O melhor é o que você consegue manter. O papel é simples para começar. O celular ajuda a não perder as folhas, a anotar falando e a juntar tudo na hora da consulta.
Preciso mostrar tudo ao médico?
Não. O diário é da família. Para a consulta, leve um resumo do período com o que se repetiu e as suas dúvidas, e mostre o detalhe se o profissional pedir.
Conheça o Ponte
O app que organiza o dia a dia de crianças com autismo e TDAH — e transforma o registro numa página pronta para a consulta.